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Quinta-feira, Julho 29, 2004
Se tem uma coisa com que um afetado pela exposição tem que se preocupar é o nível de poder. Desde que éramos crianças, os poderes vinham se desenvolvendo progressivamente. Ficávamos imaginando até quando, ou quanto eles aumentariam, como iríamos reagir, e, principalmente, se suportaríamos esse desenvolvimento.

O foco de nossas preocupações mudou no dia em que June apresentou os resultados do seu Projeto de Monitoramento do Nível de Poder. O projeto foi elaborado e desenvolvido com ajuda do Dr. Brandt. Depois de um ano de monitoramento e exame cuidadoso de oito afetados pela exposição, suas conclusões confirmaram algo de que até então somente suspeitávamos. Segundo os resultados do projeto, nossos poderes não só aumentam como também diminuem. Esta variação independe da nossa vontade, ocorre de acordo com a suposta fonte externa dos poderes. A oscilação afeta todos nós ao mesmo tempo e com a mesma intensidade.

June elaborou para cada um de nós um relatório de descrição dos poderes de acordo com os níveis que apresentam. Os relatórios estavam ainda incompletos, teriam que ser preenchidos conforme novas condições aparecessem. Com ele soube que, mesmo em níveis negativos, ainda possuo força considerável, mas que a velocidade decresce bastante conforme diminui o nível de poder. Era muita informação importante reunida, e estudamos todos os oito relatórios à exaustão.

postado por: Lana Russel 5:03 PM

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Segunda-feira, Julho 26, 2004
Desde as primeiras descobertas significativas sobre as origens de nossos poderes chamam de efeito da exposição qualquer tipo de manifestação de propriedade ou característica sobre-humana. Anomalias como minha força descomunal ou a alta velocidade de deslocamento são considerados efeitos da exposição.

Não há conhecimento concreto sobre como adquirimos esses poderes. Ao que parece, fomos expostos a uma espécie de radiação, ou somos sensíveis a essa radiação e ela alimenta nossa força. Esta seria uma possível fonte do poder, pois não se sabe onde ela estaria localizada ou mesmo como se originou. Somente são conhecidos seus efeitos: seres extraordinários, super-humanos, aberrações. Os efeitos podem ser evidentes ou não. Mas quando se pretende estar perto de um afetado pela exposição, é melhor que ele tenha controle sobre eles.

postado por: Lana Russel 6:42 PM

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Sexta-feira, Julho 23, 2004
Decidi fugir com o Dr. Brandt do ITW, juntamente com sua esposa e mais sete crianças também afetadas pela exposição. Tínhamos aproximadamente seis anos de idade, exceto por Windy, que tinha apenas alguns meses de vida. A princípio fugi simplesmente para sair do ITW. Não pretendia continuar com o Dr. Brandt e os outros depois daquilo. Para mim aquela fuga parecia uma estratégia ensaiada, planejada pelos mesmos que nos mantinham no ITW, e o Dr. Brandt era somente mais uma peça da estranha conspiração.

Era loucura fugir daquela prisão. E mesmo tendo muitas informações o Dr. Brandt não pôde prever todos os problemas da fuga. Não teríamos conseguido se não tivéssemos usado e manifestado tantos poderes. É engraçado lembrar a expressão do Dr. Brandt quando a situação fugiu de seu controle e as crianças que estava salvando foram responsáveis pelo sucesso da fuga. Em meio ao caos ele confiou em nós, nos orientou e encorajou a usarmos os poderes. Naquele dia percebi que ele sempre nos apoiaria.

Com o tempo aprendi a confiar mais no Dr. Brandt assim como em Sarah Brandt. Vi que teria muito mais chances de sobreviver e obter informações sobre o paradeiro de meus pais continuando no Castelo. Nunca consegui confiar plenamente neles, ou em qualquer um dos outros. Depois que se é traído uma vez, fica difícil confiar novamente. Se eu tivesse sido traída por uma pessoa somente talvez fosse mais fácil, mas quando se é traído por tudo e por todos, não há mais onde pisar. Só se pode contar consigo mesmo.

postado por: Lana Russel 7:35 PM

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Quinta-feira, Julho 22, 2004
Participar de uma missão é sempre uma experiência surpreendente. Nunca sabemos o que vamos encontrar, ou o que vai nos acontecer. Geralmente organizamos uma missão quando achamos que vamos obter alguma informação valiosa a respeito de nossos poderes, ou mesmo sobre o paradeiro se nossos pais. Às vezes também agimos em situações emergenciais, como quando tivemos que roubar um carregamento de syrionite, pois estávamos com dificuldades para comprar o combustível.

A missão de ontem era simples: invadir o AG na Cidade 77. June detectou em seu sistema a presença de uma unidade de armazenamento de dados fortemente guardada, possivelmente por conter informações sobre os efeitos da exposição. O que nos surpreendeu naquela investida foi seu desfecho. Uma criatura misteriosa cruzou nosso caminho quando estávamos de saída. O que estava fazendo lá? E que fantasia lilás era aquela? O mais estranho foi a maneira como ficou nos observando, exibindo aquela garra horrenda como se quisesse nos amedrontar. No entanto, nada fez, e lá ficou, imóvel.

Apesar de meus instintos terem me alertado quanto a um perigo eminente, eu queria investigar. Algo me dizia que ela tinha muito a nos dizer, fosse para o nosso bem ou não. Shot não permitiu que eu fosse, e como ele estava no comando da missão, obedeci. Daquela vez.

Saímos rapidamente do AG e chegamos a salvo no Castelo. Mas não tenho dúvida de que, de alguma forma, não somos mais tão invisíveis assim. Acho que fomos descobertos.

postado por: Lana Russel 1:18 PM

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Domingo, Julho 18, 2004
Não é assustador quando por algum motivo percebemos tão claramente a fragilidade da nossa existência que sentimos um vazio profundo em tudo ao nosso redor? Como quando, por exemplo, presenciamos um acidente e vemos que, por pouco e num segundo, uma vida é apagada deste mundo sem que se possa fazer nada a respeito.

Os afetados pelos efeitos da exposição são tomados por essa sensação permanentemente. A todo instante fica evidente a realidade de que desconhecemos nossa origem, o que somos ou o que pode nos acontecer. Vivemos assustados com essas incertezas, e em nossas vidas já não há mais perspectivas, apenas possibilidades. Passado, presente e futuro misturam-se perigosamente.

Apesar das Ciências terem estudado nossos poderes exaustivamente durante os últimos quinze anos, até hoje não há progressos significativos no que se sabe sobre os efeitos da exposição.

Reações desesperadas, ilusão, medo. Vivemos no escuro, e as direções não mais se distingüem. É como se estivéssemos numa queda sem fim. E quando não se tem referencial algum, muitos são capazes de fazer absolutamente qualquer coisa.

postado por: Lana Russel 2:44 PM

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Quarta-feira, Julho 14, 2004
Os Técnicos do ITW não conseguiam me domar. Não queriam me trancafiar pois, livre, meu desenvolvimento era ainda mais impressionante. Eu era muito rápida e forte, mas o instituto era uma fortaleza hermética. Consegui viver com mais liberdade que qualquer criança ali, e ainda assim todas minhas tentativas de fuga fracassaram.

postado por: Lana Russel 6:13 PM

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Sábado, Julho 10, 2004
Prometeram ajudar as crianças a controlar seus estranhos poderes, para que não houvesse mais feridos ou mortos com os acidentes. Conseguiram com que todos entregassem seus filhos àquele misterioso instituto.

Eu tinha somente seis anos então, mas já tinha consciência do que acontecia ao meu redor. O tempo inteiro sabia como estavam nos ludibriando. Éramos cobaias de seus experimentos sobre os efeitos da exposição. Do interior do ITW testemunhei tudo, e percebi que só queriam ter o poder para si. Desconfiava de todos e não me relacionava com ninguém. Sozinha, descobri intrigas, tracei planos, tomei decisões. Comecei a investigar, na busca de informações que pudessem um dia me tirar dali.

Seria também aquele amadurecimento precoce um efeito da exposição? Nem mesmo todo o conhecimento que temos hoje responderia nossas dúvidas sobre os possíveis efeitos da exposição.

postado por: Lana Russel 2:23 PM

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Quinta-feira, Julho 08, 2004
Você se lembra do dia em que perdeu a inocência?

Acho que todos passam por esse dia, mais cedo ou mais tarde. É aquele dia em que seu mundo, da forma como você o conhece, muda, e você passa a ter outra perspectiva das coisas e dos acontecimentos. Parece que você pára de ver a vida como se fosse um filme e mergulha na realidade, impelido por um evento marcante. Ali, naquele momento, sua vida começa de fato. Você sai da posição de espectador para virar agente, cujas ações têm conseqüências, e você se preocupa com elas agora.

O meu foi assim, num dia cinzento. Me lembro do exato momento em que acordei para a realidade: sangue espirra no meu rosto, um silêncio sombrio seguido por um suspiro, um suspiro de vida que se esvai. Morte.

Acidente, destino... Não importa o porquê pois a partir daquele dia nada seria como antes. Eu tirei sua vida, para isso não há perdão. Assim, cada dia que passa é uma vitória da minha luta pelo controle do poder desconhecido.

postado por: Lana Russel 7:40 PM

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